Preciso confessar

Estou terminando o livro: “O impostor que vive em mim.” de Brennan Manning e já havia ouvido falar que é um soco no estômago da arrogância espiritual e da falsidade que produzimos escondidos atrás de sorrisos esforçados.

Sempre que saio de férias me esforço para ter um encontro muito especial comigo mesmo. Já que estou em Deus e que é impossível deixar de estar com meus amigos e parentes, descobri que a cada dia preciso ter um encontro comigo mesmo para que os encontros com Deus e com meus próximos sejam verdadeiros. O que quero dizer é que nas férias converso muito comigo. É muito fácil ignorar a si mesmo durante a vida, por incrível que pareça. No meu descanço semanal tento fazer isso, mas não é fácil, quando saio de férias tenho mais tempo e saio com esta missão, encontrar comigo mesmo e me reposicionar para o restante da caminhada.

Estou prestes a fazer 33 anos e a 2 dias do fim da minhas férias e posso dizer: missão cumprida! Senti muita falta do povo da igreja , sem dúvida, mas as férias criam um espaço para eu encontrar comigo mesmo e posso dizer que também sentia falta de mim mesmo. Mesmo podendo cair na aparência narcisista desta frase, é a pura verdade, até porque conversar consigo mesmo pode trazer uma série de dores e trazer à tona e muita coisa que procrastinávamos, uma hora tem que arrumar. Como aquela gaveta que a gente só joga as coisas lá dentro.

Então preciso confessar que não estou perto de me satisfazer comigo. Já entrei em várias crises existenciais e agradeço a Deus por cada uma delas. Mas a crise da vez não é com a igreja, com o presente século, com o governo etc. É comigo mesmo. Acho que este blog entrará numa fase mais introspectiva e mexer com as confissões de corações.

Confesso que muito do que faço é porque alguém pode vir a me avaliar negativamente. Estou descobrindo a liberdade de ser quem eu sou. Continuo cauteloso com o que pensam de mim, afinal é recomendação bíblica: não apenas ser santo, mas parecer santo. Porém, isso não tem nada a ver com o que muitas vezes tenho praticado, deixem-me contar um exemplo.

Gosto de usar bermuda, especialmente no verão. Quando chega a segunda feira eu já escolho qual vai ser, coloco um boné, um tênis e uma camiseta que gosto muito e vou passear com minha família. Neste momentos estou a vontade, mas às vezes encontro algum irmão da minha igreja no supermercado ou no shopping, sempre fica uma situação esquisita, e na maioria das vezes isto não parte da pessoa da igreja, mas de mim mesmo.”-Será que não deveria estar de calça social uma vez que poderia encontrar alguém da igreja?” – penso eu. Começa uma luta dentro de mim: o que sei que é certo contra a pressão de agradar e ser aprovado.

Um outro exemplo é domingo. Gosto de gravatas, mas gosto de ficar sem gravata também. Domingo coloco uma roupa bonita, afinal estarei em evidência e quero causar uma boa impressão, mas quantas vezes me visto de uma maneira que não tem nada a ver com quem sou durante a semana. É engraçado pensar que mesmo sabendo que minha igreja me ama pelo que sou e não pelo que estou vestindo, que eles me ouvirão se estiver falando na autoridade da palavra, mas posso me perder em focar minhas atenções em coisas periféricas como a minha roupa. Pra ser taxativo, sinto-me um falso quando me visto de uma maneira que não sou para ser aprovado.

Calma, não vou usar bermuda nos cultos de domingo, bom-senso não é pecado, é virtude. Mas quero diminuir a pressão que tenho sobre mim que é colocada por mim mesmo e não pelo auditório. Se não estiver leve e a vontade não tenho como oferecer eu mesmo para o próximo. Agora não falo mais de roupa e sim do jeito de falar, de orar e de me portar na vida. Não quero mudar por mudar, mas algumas coisas estão acontecendo em meu coração nestes últimos meses. Mas quero sim, ser verdadeiro, e espero que me aceitem em amor, como Cristo me aceitou e se algo é necessário aperfeiçoar, vamos fazê-lo juntos.

Preciso confessar, não tenho sido eu mesmo. Encontrei-me comigo mesmo nestas férias e quero que essa pessoa que encontrei em minhas férias seja aquele que vai viver a minha vida, o verdadeiro Osmar, pois é só esse que eu posso apresentar de maneira honesta.

Abração amados!

pr Osmar.

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